Nenê, da banda Os Incríveis, morre aos 65 anos

Publicado: 31 de janeiro de 2013 em Música, Music
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Nenê e Raul Seixas em 1 de dezembro de 1985 no Estádio Lauro Gomes, São Caetano do Sul/SP na última aprsentação solo do Maluco Beleza.

Nenê e Raul Seixas em 1 de dezembro de 1985 no Estádio Lauro Gomes, São Caetano do Sul/SP, na última apresentação solo do Maluco Beleza.

Morreu na manhã desta quarta-feira (30) em São Paulo, aos 65 anos, o músico e produtor Lívio Benvenutti Jr., o Nenê, baixista do grupo Os Incríveis, um grande sucesso da Jovem Guarda nos anos 1960. Nenê foi diagnosticado com câncer de pulmão em outubro do ano passado. Ele estava internado no Hospital Sancta Maggiore. O corpo foi velado no Hospital Beneficência Portuguesa e seu corpo cremado no Crematório da Vila Alpina no final da tarde desta quarta.

Os Incríveis foi formado em 1962, mesmo ano dos Beatles, com o nome The Clevers. Tinha Mingo, Risonho, Manito, Netinho e Neno no baixo (Nenê, que já tocava desde os 12 anos, entrou no lugar de Neno em 1966). Morreram Mingo, Manito e Nenê. Netinho teve um câncer nas cordas vocais em 1995, mas se recuperou. A banda fez um sucesso absurdo no final dos anos 1960 e no começo dos anos 1970 com versões como a de Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones (sucesso do italiano Gianni Morandi).

Nenê tocou também com Raul Seixas, Elis Regina e Roberto Carlos. Com o Renato e Seus Blue Caps, o grupo Os Incríveis foi pioneiro da primeira geração do rock nacional no quesito entretenimento, assim como os Mutantes no âmbito da invenção. Foi o primeiro grupo brasileiro a ter um programa de TV próprio, o primeiro a ter um filme de longa-metragem, o primeiro a fazer turnê internacional, o primeiro a lançar um disco exclusivo para o mercado latino-americano, Los Increíbles (CBS da Argentina). Eles também foram responsáveis por gravar um hino nacionalista, Eu Te Amo, Meu Brasil, de Dom e Ravel, que foi adotado pela ditadura militar. Ele foram muito criticados pelas esquerdas por causa dessa gravação.

“Na imprensa escrita saiu matéria criticando a gente, enquanto no rádio foi primeiro lugar no Brasil inteiro. O pessoal da imprensa interpretou como se a gente estivesse puxando o saco dos milicos”, contou Nenê. Segundo ele, a banda achava que a música era uma bonita homenagem ao Brasil, mas seu tom ufanista foi aproveitado pela ditadura. O grupo ficou entre dois fogos. “E aí nós soubemos mais tarde, muito mais tarde, que os nossos nomes estavam lá no SNI (Serviço Nacional de Informações), porque eles estavam querendo fazer com a gente o que a rainha havia feito com os Beatles. Porque, na subida do Médici ao Palácio, rolava metade do Hino Nacional e depois a banda engrenava em Eu Te Amo, Meu Brasil. Eles se aproveitaram pra cacete disso.”

O grupo se separou em 1972, para depois reunir-se novamente em 1982 e continuar tocando. “Eu tô profundamente chateado. É um pouco da nossa história que morre”, disse nesta quarta o cantor Jerry Adriani. “Perdi um amigo, um cara ótimo, engraçado, fantástico contrabaixista. Fisicamente, é como se morresse um pouco da gente.”

Fonte: Agência Estado.

Abaixo um vídeo feito no estúdio do Nenê, na Pompéia, em 1988, com Raul Seixas e Marcelo Nova

http://www.youtube.com/watch?v=TvA6fdg3lo4

Neste outro vídeo, o baixo de Nenê em show com Raul Seixas, em São Caetano do Sul/SP, em dezembro de 1985.

http://www.youtube.com/watch?v=I1Elc7MiS6U

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Comentários
  1. Jim Duran disse:

    o rock, o iê-iê-iê, a jovem guarda, O BRASIL perde muito com essa morte.

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  2. Manoel Alves da Silva disse:

    Quando comecei aprender a tocar bateria de ouvido, OS INCRÍVEIS principalmente tendo como espelho o Netinho principal professor para mim e o Nenê que no baixo me ensina a casar bateria com o baixo. Essa banda me ensinou muitas maravilhas na música. Sinto muito a morte desse cara que foi um baita de um contra-baixista.

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