AO SOM DE HARPAS EGÍPCIAS

Publicado: 11 de junho de 2008 em Não categorizado

AO SOM
DE HARPAS EGÍPCIAS

RAULZITO CONVOCOU A SOCIEDADE DA GRÃ-ORDEM
KAVERNISTA


OS KAVERNISTAS POSAM PARA A FOTO DA
CAPA.


Em 1971, uma aventura fonográfica custa o emprego
daquele que seria um dos maiores ícones do rock brasileiro: Raul Seixas. Com o
sucesso ainda por vir, ele trabalhava como produtor musical da CBS. Compôs quase
80 canções para artistas consagrados como Jerry Adriani, Renato e Seus Blue
Caps, Diana e Trio Ternura, além de produzi-los. No entanto, sua cabeça já
sintonizava outra estação. Religiões orientais e filosofia eram algumas de suas
leituras. As músicas de Elvis haviam aberto sua percepção musical, bem como os
experimentalismos dos Beatles. Logo fica evidente que os discos comportados da
CBS não o satisfaziam. Queria um álbum diferente, uma ópera-rock “que resumisse
o caos bonitinho da época”. Aproveitando a viagem do diretor da gravadora, reúne
a sambista Miriam Batucada, o polivalente Edy Star e o compositor Sérgio
Sampaio, e inicia as gravações. A extravagância começa pelo título: A Sociedade
da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez. A um só tempo, nome do
conjunto e da obra.
O disco é indefinível. Baião e soul music; rock e samba.
Vários elementos incomuns se amalgamam. O grupo compõe 30 canções. Apenas oito
escapam da censura. Na abertura, um locutor de circo anuncia: “Respeitável
público, a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista pede licença para vos apresentar o
maior espetáculo da Terra.”
Faixa por faixa, o quarteto desafia os padrões.
Em suposta homenagem aos boêmios da velha guarda, entoa um “bolerão bem
açougueiro”, como definiria Raul anos depois.
A desconcertante mistura de
guitarra roqueira com frevo ganha refrão atemporal e vira Eu vou botar pra
ferver no carnaval que passou.
A crítica à classe média fica por conta da
letra de Doutor Pacheco, o “herói dos dias úteis”. Nessa, Raul toca todos os
instrumentos, menos a bateria. Para dar um toque especial, encomenda uma harpa
egípcia.
O encarregado dos instrumentos ainda pergunta: “Não serve
paraguaia?” Nada feito. Tem de mandar trazer a harpa de São Paulo. Ela desce do
caminhão para apenas um acorde final, depois de 300 compassos.
Voltando de
viagem, o diretor vê o disco em sua mesa, junto ao relatório de custos.
Imediatamente convoca Raulzito. No sermão, palavras que revelam a
incompatibilidade do artista com a função: “Isso aqui é fábrica de vender
ilusões, meu filho.” Mal sabe que, ao demiti-lo, liberta-o para alçar vôos mais
longos. Anos depois, Raul relembra: “Foi a primeira vez que fiz algo para ser
consumido e do qual me senti paranoicamente orgulhoso e feliz. Aprendi a fazer
música fácil, intuitiva e bonitinha, que leva direitinho o que a gente quer
dizer.”
Em tempo: o LP que o diretor desprezou hoje é raridade, vendido em
lojas de discos por até 340 reais. (Danilo Ribeiro Gallucci)

SAIBA MAIS
Vivendo a
Sociedade Alternativa: Raul Seixas no panorama da contracultura jovem, tese de
doutorado de Luiz Alberto de Lima Boscato (2006).

IN: http://www.almanaquebrasil.com.br/almanaque96/brasil7.asp

RAUL ROCK CLUB/RAUL SEIXAS OFICIAL FÃ-CLUBE
Caixa
Postal 12.106 – Ag. Santana
São Paulo – SP – CEP: 02013-970 –
BRASIL
tel/fax (11) 6948 2983
celular  (11) 8304 4568

SITE 1: http://www.raulrockclub.com.br
SITE 2: http://www.raulrockclub.com.br/expo
SITE 3: http://sylviopassos.blogspot.com
 
Veja o vídeo  "Meu Amigo Raul" acessando o link
abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=LXOXrKmrJW8
 
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