Uma Vida Marcada Pela Polêmica

Publicado: 19 de julho de 2008 em Não categorizado

Uma Vida Marcada Pela
Polêmica

GAZETA MERCANTIL | Sexta-feira,
18, e fim de semana, 19 e 20 de julho de
2008 | D5
BIOGRAFIA – Jornalista
inclui no livro trechos de diários que o autor escreveu no
manicômio

Uma vida marcada pela
polêmica

Livro de Fernando Morais
expõe sem pudores Paulo Coelho, mas comete erros.

JOSÉ PACHECO MAIA FILHO
SALVADOR

Maior fenômeno de
vendas da
literatura brasileira e grande sucesso
mundial, com 100
milhões
de cópias vendidas de suas 21
obras traduzidas em 66 idiomas
e
publicadas em 160 países, o escritor
Paulo Coelho de Souza tem
a
história da sua vida contada pelo
jornalista Fernando Morais,
autor
também das biografias "Olga"
e "Chatô, O Rei do Brasil".
Lançada
pela editora Planeta, "O
Mago" já aparece na lista dos
mais vendidos,
mesmo sendo
um volume de 632 páginas, calhamaço
bem mais encorpado
do
que os livros do biografado.
A biografia que sai quando
Paulo Coelho está
com 60 anos,
nas palavras do próprio Morais,
"faz uma exposição muito
cruel
da intimidade" do biografado. É
exposto sem pudores o
tratamento
que a família de Coelho dava a
sua rebeldia juvenil,
internando-o
numa clínica psiquiátrica, a Casa
de Saúde Dr. Eiras, no Rio
de Janeiro,
onde lhe eram aplicados
choques elétricos.

"É uma coisa
que todo mundo
sempre tratou na intimidade da
família com muito cuidado.
Ninguém
se orgulha de ter internado
o filho num hospício. Ele não
era
louco, era apenas um cara rebelde,
um moleque de 14, 15 anos,

isso", conta Morais. No livro, a
narração do biógrafo,
intercalada
pelos diários feitos por Paulo
Coelho durante os
internamentos,
mostra a angústia do jovem
incompreendido convivendo
num
ambiente que não era nem
um pouco familiar e de onde fugiu
algumas
vezes.
Morais só ficou sabendo dos
diários depois de
praticamente
concluir as pesquisas e entrevistas
para a biografia. O
acesso ao
material, que reunia 40 anos de
escritos de Paulo Coelho, se
deu
sob a condição de Morais descobrir
quem fora o militar que
confundiu
o escritor com um guerrilheiro
e o prendeu em 1969, em
Ponta
Grossa, no Paraná, ameaçando
tirar seu olho para fora e
mastigar. O
biógrafo venceu o desafio
e teve acesso aos depoimentos
pessoais de Paulo,
escritos e
gravados em fita. Com as novas
informações recomeçou o
livro.
Nos diários, dos quais vários
trechos intercalam a narrativa
da
biografia, está explícita desde cedo
a determinação de Paulo
Coelho
em se tornar escritor, realizar
sua lenda pessoal, mesmo que,
em
certa ocasião a participação
dele como autor de um livro tenha
se dado de
forma desonesta,
como no caso do "Manual Prático
do Vampirismo"
(1985).
Embora conste como de sua
autoria e esteja fora de
circulação,
o livro foi resultado de um desafio
lançado por Ernesto
Mandarino,
dono da editora Eco, a mesma
que lançaria as primeiras
edições
de "O Diário do Mago" e "O Alquimista".
Num encontro com
Coelho
numa feira esotérica, no
Rio, Mandarino lhe fez a proposta
para que
escrevesse um livro sobre
vampirismo. Paulo Coelho
condicionou aceitar a
proposta se
o jornalista Nelson Liano, que
acabara de entrevistá-lo na
feira
escrevesse com ele o livro. A proposta
foi aceita e cada um
ficou
com uma parte para fazer.
Depois de adiar diversas vezes
a
entrega de sua parte, quando o
parceiro já havia concluído e entregue
o
que lhe cabia, Paulo Coelho
um dia aparece com a outra
metade, escrita
pelo engenheiro
Antonio Walter Sena Júnior, conhecido
no mundo esotérico
como
Toninho Buda. O problema é
que Paulo não lhe deu o
crédito,
mantendo apenas o seu nome como
autor, quando o
compromisso
foi de dividir a autoria.
Toninho Buda hoje diz que,
na
época, não deu muita bola para a
desonestidade de Paulo
Coelho,
porque o tinha como um mito
por ter lançado, ao lado de
Raul
Seixas, o movimento da Sociedade
Alternativa. O mesmo Toninho,
um
ano depois, aceitaria assinar
um contrato, em condições
quase
escravagistas, com ajuda
mensal de 200 dólares, para servir
Paulo Coelho e
sua mulher Cristina
Oiticica em viagem à Espanha,
na qual pretendia fazer
o Caminho
de Santiago.
As duas histórias estão relatadas
em "O Mago" e
Toninho ficou
grato com Fernando Morais.
"Durante esses 22 anos em
que
eu fiquei calado sobre o ‘Manual
Prático do Vampirismo’,
por
exemplo, eu jamais poderia esperar
que um dia as pessoas
fossem
ficar sabendo com clareza
da história. E muito menos que
isso
fosse ser conhecido em nível
mundial. É como se eu tivesse
acertado uma
pedrada na testa
do gigante Golias! Um gigante,
aliás, que nunca citou
meu
nome e sempre fez questão de
que eu ficasse na lata de lixo
da
História! Não fosse o Fernando
Morais ser um biógrafo sério
isso
jamais viria à tona!"
Mas nem tudo são elogios. A
forma como Raul
Seixas é apresentado
no livro vem sendo criticada
em comunidades do
Orkut
e em blogues na internet. Na
maior comunidade do Maluco
Beleza,
que tem 94 mil associados,
vários posts foram feitos reclamando
do
tratamento dado a
Raul no livro e das informações
erradas sobre a sua
história.
O blogueiro Miguel Cordeiro
(
www.miguelcordeiroarquivos.blogger.com.br) é
taxativo:
"Neste livro de Fernando Morais
sobre a vida de Coelho várias
são
as informações erradas ou distorcidas
sobre as coisas de Raul
Seixas.
Está lá escrito que Raul não
era muito afeito à leitura, o
que
não é verdade já que ele escrevia
desde criança e alimentava o
sonho
de um dia ser escritor. Existem
também informações erradas
sobre
o período em que Raul ainda
estava em Salvador e sobre
acontecimentos e
fatos envolvendo
a sua banda Os Panteras".
Miguel se refere
diretamente
às páginas 284 e 287 da biografia.
Na primeira, se insinua uma
certa
superioridade intelectual de
Coelho sobre Seixas ao se
relatar
que "aos 25 anos o escritor (Coelho)
havia lido e
comentado
mais de 500 livros e escrevia com
articulação e fluência. Quanto
a
Raul, embora tivesse passado a
infância entre os livros do
pai,
ferroviário e poeta bissexto, não
dava para dizer que se tratava
de
alguém afeito às leituras".
O interesse de Seixas pela leitura
de
livros é confirmado por
amigos de infância e juventude
na Bahia e pelo
presidente do fãclube
Raul Rock Seixas, Sylvio
Passos. Carlos Eládio,
componente
da banda Os Panteras, que acompanhava
o Maluco Beleza
nos
anos 60, lembra que Raul lia bastante
e cita obras de autores
como
Schopenhauer, Kafka e Pitigrilli
que trocavam entre si. "Ele não

lia em português como em inglês
e se interessava por filosofia,
psicologia,
religião e ocultismo".
Para Sylvio Passos, dizer que
Raul
não era dado à leitura foi o
cúmulo da falta de seriedade da
obra. "Eu sou
testemunha. Raul
possuía uma biblioteca maravilhosa
e era um contumaz
comprador
de livros". Entrevistado
três vezes por Fernando
Morais,
Sylvio avalia que as informações
que passou ficaram na
gaveta.
Outro tropeço da biografia
quando há referência a Raul
Seixas
está na parte em que se
faz um breve histórico do Maluco,
nas páginas 286
a 288. Há
uma mistura de nomes da banda
que não respeita a
ordem
cronológica dos fatos. Quando
foi criada no final de 1963,
o
grupo foi batizado como The
Panthers, mas logo depois passaria
a ser
Os Panteras e com esse
nome participaria do show
de Jerry Adriani e
gravaria o
primeiro disco de Seixas, "Raulzito
e os Panteras", em
1967.
Por sinal, destaca Mariano Lanat,
único componente que
participou
das diversas formações da
banda até a definitiva com
ele,
Carleba e Eládio, o show de Jerry
Adriani no Clube Bahiano,
não
foi em outubro de 1967. Nessa
época, a banda já estava no Rio
de
Janeiro, gravando o disco "Raulzito
e os Panteras" pela Odeon.
O
contrato foi assinado em setembro
daquele ano.
Outro equívoco da
biografia é
afirmar que Seixas conhecera
Adriani naquela
apresentação.
O Maluco Beleza estava afastado
da banda no período, o ano
de
1966, para estudar e mostrar ao
pai da namorada, a americana
Edith
Wisner, que era um homem
direito e passaria no vestibular
vestibular,
o
que de fato aconteceu,
para o curso de Direito.
No livro, Eládio, por sua
vez,
foi excluído do grupo que acompanhou
Adriani no Clube Bahiano
de
Tênis. Foi trocado por Perinho
Albuquerque que, embora
tivesse olhos
azuis, era mulato e
possivelmente também seria barrado.
Eládio esclarece
que o produtor
do show, era conhecido deles
e foi buscá-los em casa,
quando
estavam se preparando para dormir.
"O empresário Carlos
Silva
nos contratava para alguns shows
e, quando se viu no sufoco
diante
do impedimento de a banda que
acompanharia Adriani ficar
impedida
de tocar porque havia três
negros, foi à nossa
procura".
Eládio lembra que Os Panteras
atenderam ao pedido de
última
hora de Silva sem nem cobrar cachê
e que o produtor ficou
grato.
Posteriormente, Silva acabou chamando-
os para
acompanharem
Jerry Adriani numa excursão que
promoveria no interior da
Bahia.
"Foi nesta excursão que Raul Seixas
conheceu Jerry Adriani e
ficaram
amigos", afirma o Pantera.
"A versão do livro está
errada".
Morais, por sua vez, pediu o envio
das erratas por e-mail.
Sugeriu
também que as discussões sejam
feitas no site do livro
(
www.fernandomorais.com.br/omago).
"Tudo bem que
Paulo Coelho
se transformou num escritor de
fama internacional, mas é
esquisito
que a partir da sua ascensão
como ícone da literatura
mundial
o papel de Raul Seixas seja diminuído
ou relegado a um
segundo
plano em relação ao período em
que Paulo Coelho esteve
envolvido
com a música", diz Cordeiro.
O MAGO
Fernando Morais | Planeta
| 632 págs.
R$ 59,90

RAUL ROCK CLUB/RAUL SEIXAS OFICIAL
FÃ-CLUBE
Caixa Postal 12.106 – Ag. Santana
São Paulo – SP – CEP: 02013-970
– BRASIL
tel/fax (11) 2948 2983
celular  (11) 8304 4568
Site
RRC:
http://www.raulrockclub.com.br
Blog:
http://sylviopassos.blogspot.com
YouTube:
http://www.youtube.com/user/sylviopassos
MySpace:
http://www.myspace.com/sylviopassos
Windows Live
Spaces:
http://sylviopassos.spaces.live.com

Veja o vídeo  "Meu Amigo Raul"
acessando o link abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=LXOXrKmrJW8

.

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