J. R. R Abrahão – Sobre Raul Seixas

Publicado: 13 de agosto de 2008 em Não categorizado

Entrevista com o "Bruxo" José Roberto
Abrahão

Advogado, jornalista e escritor,
José Roberto Romeiro Abrahão foi um grande amigo de Raul Seixas. Compôs com o
roqueiro a música "A Pedra do Gênesis", lançada em 1988 no último trabalho solo
do cantor, além de "Angel", ainda inédita. Abrahão teve um relacionamento
curioso com Raul Seixas, momentos estes relatados nesta entrevista, feita em
março de 1997.

– Como foi o processo do
primeiro encontro entre você e o Raul
Seixas?


Na década de 70, quando eu já estudava magia, as músicas do
Raul Seixas, em especial as quais ele foi parceiro do Paulo Coelho, me
despertavam atenção por justamente tratarem de temas relacionados ao ocultismo.
Deixo claro que o ocultismo que eu estudava na década de 70, que era chamado
também de esoterismo, não tem nada a ver com o esoterismo atual.

– Basicamente, qual é a diferença do
esoterismo de hoje e o esoterismo de
antigamente?

– Não pretendo falar mal de ninguém, respeito a fé e as convicções
de toda natureza de qualquer pessoa, mas principalmente, só deixo claro um
parênteses, porque a maioria das pessoas que travarem contato com a palavra
esoterismo, vão achar que se trata disso, mas o esoterismo de hoje é só uma
religiãozinha, não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido de que é uma
coisa menor, uma coisa não codificada, na qual as pessoas buscam soluções,
buscam alívios para os seus problemas e buscam uma forma de manifestar sua fé. A
minha colocação e relação na distinção que há entre o esoterismo que eu estudava
com o esoterismo que é chamado hoje, é que o esoterismo do meu tempo
era uma religião como qualquer outra  na qual os sacerdotes das
religiões tradicionais, seja cristianismo, budismo, islamismo ou judaísmo
eram pessoas que passaram por muitos anos de treinamento sacerdotal, por
muitos anos de estudos, o que tem um estudo equivalente a uma faculdade,
normalmente uma pós graduação, um mestrado e um doutorado dentro da sua
religião, pra depois pregar sua fé, muitas vezes em outras nações e outros
continentes. Hoje, as pessoas lêem alguns livros, assistem a dois ou três cursos
ou palestras e começam a praticar rituais, cerimônias coletivas, batizar, casar,
etc. Isso pode ser só uma manifestação de fé, mas demonstra uma ousadia que
prejudica mais que ajuda a todos os envolvidos. A pessoa, imaginando-se um Mago
ou Sacerdote, invoca a ajuda de Anjos ou Demônios, Deuses e Deusas da
antiguidade, e pedem que eles, as Entidades, influenciem na vida das pessoas. É
uma religião onde você tem uma série de premissas, superstições, preceitos,
dogmas e tabus, como qualquer outra.O esoterismo que eu estudava era distintivo
diso. Tinha filosofia. Hoje é cru.

– Voltando à questão do primeiro contato com o
Raul…

– Isso! A mensagem oculta contidas
nas músicas de Raul Seixas na década de 70 me chamavam a atenção. No início da
década de 80, eu estava ligado a algumas pessoas que eram ligadas à Ordo Templi
Orientis, a O.T.O., no Brasil. Inclusive uma dessas pessoas, onde faz anos que
não tenho contato, era um grande ocultista, tenho por ele um grande respeito, o
nome dele é Wanderley Paes Yanomini. Ele tinha sido Iniciado na O.T.O. por
Marcelo Ramos Motta, que foi quem iniciou Raul Seixas e Paulo Coelho na O.T.O.,
e ele me contou a respeito do lado mágico de Raul Seixas e Paulo Coelho, que
eram iniciados na O.T.O., inclusive comentou que Raul Seixas era um grande
iniciado, comentou a respeito das dúvidas que eu tinha sobre o cunho ocultista
das músicas do Raul e me despertou muito meu interesse em conhecer o Raul Seixas
e achei que deveria buscar este contato, mas fiquei na minha, só na vontade, não
fiz nada a bem da verdade para conhecê-lo. Nunca fui na verdade, na acepção da
palavra, um fã do artista Raul Seixas, nunca fui em um show dele, mas
gostava da arte dele. Achava muito difícil me aproximar de um artista com este
intuito, porque obviamente eu seria recebido como mais um fã, onde não era
exatamente o meu caso. Deixei a coisa arquivada no meu inconsciente. Se não me
engano, em 1986, saiu uma matéria no jornal Shopping News, jornal de circulação
local daqui de São Paulo, sobre um livro do parceiro mais importante de Raul
Seixas, era o novo livro de Paulo Coelho, intitulado " O Diário de Um
Mago". Sabendo que ele morava no Rio de Janeiro, pensei comigo mesmo, era essa a
pessoa que eu deveria conhecer, porque ele poderia me esclarecer dúvidas ainda
que existiam com relação às músicas compostas com Raul e também poderia ser uma
pessoa que poderia me apresentar para o Raul de uma forma ligada ao ocultismo,
não como fã. Liguei pra um amigo meu no Rio de Janeiro, Fernandes Portugal, que
é um sociólogo, professor na Universidade do Rio de Janeiro e também na
Universidade de Havana, em Cuba, e ele disse que conhecia o Paulo Coelho, que
era amigo dele e me passou o telefone do Paulo Coelho. Naquele dia mesmo, pouco
tempo depois, liguei pra lá e quem me atendeu foi Christina Oiticica, esposa do
Paulo; ela me disse que o Paulo estava em viagem na Europa e voltaria em quatro
meses. Cerca de quatro meses depois eu liguei, o telefone tocou algumas vezes e
daí atendeu o próprio Paulo. Me senti surpreso, porque ele estava entrando
naquela hora vindo daquela viagem na Europa. Conversamos meia hora e ficamos
amigos por telefone. Depois de umas cinco ou seis vezes que eu havia conversado
com ele, sempre por telefone, manifestei a ele o interesse em conhecer o Raul.
Ele falou que iria arrumar uma oportunidade para isso. Numa das outras vezes que
eu estava falando com ele, até era de noite, por volta das 21:30 horas e ele
disse: "Vamos tentar ligar pro Raul agora"! Havia algo que o Raul precisava, uma
informação que eu teria condição de fornecer a ele na época, foi em 1987. Ele
pegou o telefone e ligou pro Raul. Ele estava falando comigo numa linha, ele
tinha dois telefones em casa, pegou o outro telefone e ligou pro Raul comigo na
linha e falou uns cinco minutos com Raul: – Olha, tem um amigo meu
em São Paulo
e ele tem condições de dar uma orientação, o nome dele é José Roberto Abrahão.
Desliguei a ligação com Paulo, liguei pro Raul, combinei com ele que no dia
seguinte iria lá e no dia seguinte ele foi me receber na porta. Ele morava no
Butantã e foi assim um contato como se nós tivessemos nos conhecidos há muito
tempo.


– Como ocorreu a
composição da música "A Pedra do Gênesis", realizada por você, Raul Seixas e
Lena Coutinho, a última esposa de
Raulzito?

– Entre nós, eu e Raul, travou-se
uma amizade muito sólida, tínhamos muitos pontos em comum, muitos divergentes em
termos de magia. Conversamos bastante, trocamos literaturas, xerox de livros
raros e outras coisas. Ele me perguntou se eu não gostaria de ser parceiro dele,
se eu não teria alguma coisa pra dizer em música. Eu disse que ficaria muito honrado, mas
nunca tinha pensado nesta oportunidade. Então ele disse que tinha o LP A Pedra
do Gênesis, mas não tinha a música título. Ele me perguntou se não ficava mal e
eu disse que achava que não. Então ele disse que gostaria de fazer uma
música-título. Começamos a colocar algumas idéias, algumas filosofias minhas,
então acabei me tornando parceiro de Raul Seixas, graças a insistência e a
benevolência dele de pegar uma pessoa sem nenhuma experiência e transformar num
parceiro. Caso da Lena Coutinho e de outras de suas ex-mulheres: ele as fez
parceiras musicais apenas por bondade, em homenagem a serem parceiras na cama…
o Raul era quem compunha, e colocava quem ele queria como parceiro! Foi assim
comigo, por pura amizade fraternal, e com tantos outros. Quem compôs, mesmo,
meritoriamente, com Raulzito, foram Paulo Coelho, Cláudio Roberto e Marcelo
Nova. O resto, incluindo o seu ex-mestre Marcello Motta, foram (ou fomos) todos
parceiros por simples benevolência de Raulzito. Essa é a verdade. Me honrou, ao
fazer algo que compositor algum faz, dividir uma criação sua com um amigo. Essa
grandeza de Raulzito era uma coisa fantástica. Era um cara maior que a
vida!

– Além da música A Pedra
do Gênesis, houve outra composição musical, que por alguma circunstância não
veio a ser gravada?

– Entusiasmado na experiência que foi compor com ele, acabei
fazendo um pequeno verso em inglês, cujo  nome é " Angel". Levei pra ele e
disse que gostaria de musicá-lo. Foi uma experiência impressionante, porque o
Raul pediu que eu ligasse o gravador, pois ele tinha um semi-estúdio improvisado
em casa.
Liguei o gravador, ele sentou numa cadeirinha, pegou o
microfone, botou perto, pegou o violão e falou: – "Escreve a letra aqui no
papel." Era um caderninho. Escrevi, ele deu dois acordes e no terceiro acorde
ele começou a compor a música e já saiu cantando a letra. A música saiu de
primeira em menos de dois minutos. Então foi uma prova inconteste da genialidade
dele, de alguém que realmente bebia na fonte. Impressionante. Depois essa música
acabou ficando inédita, porque o Raul tinha planos de gravar um LP todo em
inglês e nesse meio tempo a música tinha sido colocada na partitura, no papel.
Meu amigo Marcelo Nova não se interessou por gravar, a Rita Lee que é minha
amiga não se interessou, Guilherme Arantes não se interessou, nem o Malcolm
Forest, e essa música foi ficando inédita, aguardando alguém que tenha a
disposição talvez de pegar e acender essa chama que o Raul carregou, porque a
música é muito mais dele do que minha. Além da melodia ser dele, a inspiração
para que eu compusesse o poema, foi toda dele.

– Antes do LP A Panela do Diabo ser lançado, no dia 22 de agosto
de 1989, um dia depois que Raul faleceu, você já sabia que a música Carpinteiro
do Universo seria dedicada a
você?

– Não. Eu sempre tive a mania, especialmente magicamente, de
auxiliar as pessoas, muitas das quais à revelia, sem que elas soubessem. Pessoas
envolvidas com álcool, com drogas e com problemas que elas mesmas causavam,
tentando ajudar a resolver, porém poucos meses depois elas mesmas acabavam
gerando os mesmos problemas novamente e eu ficava aborrecido com essa situação.
Um dia eu estava desabafando com o Raul, dizendo na casa dele no Butantã que me
sentia como um "carpinteiro do universo", porque eu tinha vontade de arrumar e
consertar tudo e parecia que não davam chances! Ele olhou pra mim com um olhar
matreiro e disse que podíamos fazer uma música disso e eu disse que poderíamos
tentar. Ele parou um pouco, escreveu no papel uma coisa, escreveu outra e disse:
– O que você acha assim: eu estou preocupado em limpar as unhas de alguém que
estão sujas, de cortar o cabelo das pessoas. Eu disse que não era essa a figura.
A figura é mais assim de querer sempre mudar a direção do trem. Ele disse: –
Então você não gostou desse enfoque? Eu disse que não e nunca mais falamos no
assunto. Na sexta feira, dia 18 de agosto de 1989 eu ia até o consultório do Dr.
Luciano Stancka e Silva, que é um médico meu amigo que eu havia apresentado para
o  Raul e que passou a ser o médico que estava acompanhando o Raul na
época. Eu havia combinado com o Raul que iríamos nos encontrar no consultório do
Dr. Luciano. Liguei pra ele depois do almoço e ele disse que iria só na
segunda-feira. Eu disse que estava bom e que a gente se viria na segunda-feira.
No domingo à noite, estava até frio, eu normalmente não sinto frio, estava
dentro de casa, estava de camisa e por cima da camisa coloquei um colete, onde
tinha dois bolsos grandes na frente. Eu estava simultaneamente lendo dois
livros, tenho costume de ler dois ou três livros ao mesmo tempo, normalmente
livros técnicos que leio, leio pouca literatura. Eram livros sobre magia, um
deles chamado The New Magus, de Donald Tyson, um autor hoje consagrado, o outro
era "Liber Null and Psychonalt", (Livro nulo e Psiconauta). Psiconauta é um
termo cunhado neste livro que quer dizer um indíviduo que mergulha
psiquinamente, que são os psiconautas, comparando com os astronautas; o autor é
Peter James Carroll, que é meu amigo, nos correspondemos ocasionalmente e é o
fundador do Círculo do Caos e do I.O.T. – Iluminado de Tanateros. Tanateros
seria uma entidade metamórfica, fundindo Tanatos, que é o deus da morte, e Eros,
o deus do amor e do sexo. O primeiro trabalho público deste grupo foi exatamente
esse livro chamado Liber Null and Psychonalt. Então eu estava lendo um capítulo
do The New Magus, a respeito de construção de guardiões, construção assim no
sentido psíquico, aonde você mediante alguns exercícios psíquicos constrói
mentalmente uma entidade no plano astral e no plano mental pra uma determinada
finalidade, no caso os guardiões com a finalidade de proteger alguém. Meses
anteriores já havíamos tido contatos com o Deus Anubis, o Deus da morte egípcio,
que estava muito próximo de Raul e esse Deus construía um caixão pro Raul
dizendo que a hora dele estava chegando e a gente tentava demovê-lo dessa idéia,
dessa coisa louca, tentando num plano mental demover essa Divindade desta
construção. Eu sabia intimamente que quando este caixão estivesse construído o
Raul teria que partir. Esse trabalho era feito em grupo e a gente tinha uma
série de procedimentos para proteger o Raul para que ele pudesse resistir aos
problemas de saúde sérios de que padecia, como uma diabetes seríssima e a
pancreatite crônica. Nesse capítulo, como estava dizendo, eu lia sobre a
construção de guardiões e me veio na mente um guardião com asas enormes, com
corpo como de um dragão, mas logo a seguir no mesmo capítulo dizia: Cuidado com
o guardião que você constrói para alguém, porque se esta pessoa estiver fraca, o
guardião pode vir por destruir essa pessoa, pode ser como um animal muito grande
em cima de alguém. Eu fiquei receoso por realizar este procedimento e causar um
prejuízo maior para o Raul e fechei este livro, abrindo mais um capítulo do
livro Liber Null and Psychoanal. Já este novo capítulo dizia a respeito do
encantamento final, ou seja, da extrema-unção. Uma inspiração e alguém me disse
que eu copiasse num papel aquele encantamento final que iria utilizá-lo. Segui a
orientação e guardei o papel no bolso daquele colete. Claro está que não gostei
do presságio. No dia seguinte quando acordei, me recuperava de uma hepatite
violenta que eu tive em dezembro de 88, estava num processo de recuperação,
liguei de manhã cedo pra casa do Raul e a Dalva que era a secretária dele
atendeu e disse: – Zé Roberto, eu acho que o Raul morreu! Eu disse: – Você tem
certeza? Ela disse que não, então eu falei: Então você vai lá, pega um espelho,
coloca debaixo das narinas dele e vê o que acontece. Se a pessoa estiver viva, o
espelho irá embaçar com a respiração da pessoa, ainda que fraca. Pouco tempo
depois ela voltou e disse: – Não acontece nada. Então eu disse: Não fale com
ninguém, que eu vou ligar para o Marcelo (Nova), para o Albertino, que na época
era empresário de ambos e para o Dr. Luciano e depois eu vou aí. Não fala com
ninguém, porque se não vai ser uma loucura, vai encher de maluco… Então liguei
para o Marcelo que se comunicou com o Albertino, onde iriam direto para lá e
peguei um táxi, fui buscar o Dr. Luciano no consultório e fomos para o
apartamento do Raul. Chegamos lá, realmente ele estava morto, deitado na cama,
do lado dele um bastão mágico, que eu tinha presenteado a ele. Pedi licença,
encostei a porta e li este encantamento final, dei a extrema-unção pro Raul
Seixas. Eu senti que naquele momento de alguma forma ele se libertou. Foi uma
experiência muito forte pra mim, que demorei alguns anos pra me recuperar
totalmente, porque eu tinha uma grande amizade por ele, era um grande cara e um
grande gênio contemporâneo. Só no dia seguinte, terça-feira, dia 22 de agosto,
que fiquei sabendo do lançamento do disco da dedicatória a mim. Foi assim uma
coisa surpreendente, mas que a gente poderia esperar do Raul
Seixas.

– Você foi então a primeira pessoa a
saber que ele teria falecido?

– Sim ,fui eu a primeira
pessoa.

– Tratando-se até mesmo
de uma curiosidade de vários leitores, como estava o corpo do Raul
Seixas?

– O Raul estava de pijama comprido, de mangas compridas, com
listas beges ou marron e do tom pastel. Ele estava sentado na cama, que era
chamada de cama de viúva, uma cama de solteiro mais larga. Então ele estava como
ele estivesse se levantando, sentado na parte da frente da cama, na parte
próxima dos pés da cama, no meio, com os pés e pernas para fora da cama e
deitado em direção da parte da cabeça da cama. Como se estivesse na posição de
deitado normal, só que com as pernas fora, com os pés encostados no chão.
Deitado de costas, com os olhos abertos, olhando pro
nada.

Na sua opinião, o Raul teria falecido
enquanto estava dormindo?

– Eu até conversei muito com o Dr. Luciano e o que talvez tinha
acontecido teria sido que ele teria sofrido uma crise aguda de pancreatite com
uma crise de insulina. Talvez ele tenha se sentido mal após dormir, tenha
levantado e depois sentado na cama ou ele tenha sentado na cama, deitado e tenha
morrido durante o sono. São as duas possibilidades, e deve ter ocorrido durante
a madrugada.


– Outro fato que
gostaria que você expressasse sua opinião, seria quanto `aquela sustentação de
várias pessoas de achar que Raul teria tido um pacto com o Diabo. Como um grande
estudioso esotérico, qual o seu ponto de
vista?

– Olha, pacto com o Diabo existe? Não sei! Acho que tudo que pode
existir na cabeça dos homens, pode existir na realidade. Só que se o Raul
tivesse tido um pacto com o Diabo, primeiro que ele teria se tornado um homem
rico, segundo,  ele teria tido muita saúde e terceiro que ele seria um
homem muito feliz. Raul morreu pobre, abandonado pelo séquito de aproveitadores
que o cercara na opulência. Sua saúde estava detonada. Ele não era um homem
feliz, era muito solitário, que passara por muitos casamentos ruins, que
realmente sentia muita falta de uma companhia. Era um homem cheio de problemas,
abandonado por muitos amigos durante a carreira e a vida e morreu sem nenhum
patrimônio, sem um carro, sem um imóvel, sem dinheiro, sem nada. O que ele tinha
guardado, no fim da vida, foi fruto de 50 shows ininterruptos que realizou na
companhia de Marcelo Nova, um grande caráter. Então, que tipo de Demônio, de
Diabo que poderia fornecer um pacto tão minúsculo e ainda por cima ele morrendo
tão jovem, com menos de cinquenta anos de idade… Acredito sim, na
possibilidade que eu comento no meu livro chamado O Quarto Segredo, que é
dedicado a memória de Raul Seixas, a referência de políticos do passado,
especialmente no caso de Adolf Hitler, que teria feito um pacto com o Diabo e
não foi uma coisa que eu pesquisei sozinho. Eu duvido que o Diabo pode criar
talento, porque o talento é algo divino e o Raul já nasceu talentoso, isso as
pessoas que conviveram com ele na infância, na adolescência concordam com isso.
Eu acredito que o Diabo possa criar fortunas a partir deste talento, ou então
artistas que a gente vê gerados a partir da falta de talento, onde seria uma
coisa realmente diabólica. Raul não, porque ele era Iniciado e um Iniciado não
faria um pacto com o Diabo ou qualquer tipo de pacto, porque um iniciado sabe as
consequências dessas coisas e o preço disso seria muito
alto.


– Como você analisava o relacionamento de Raul com Lena Coutinho,
sua última esposa. Dentro desta mesma questão, Raul chegou a desabafar contigo
os seus problemas pessoais, tanto atual quanto ao passado, em relação às
ex-mulheres?

– Seu relacionamento com a
Lena… bem, ele um dia me disse "Lena Coutinho odeia Raul Seixas…" que mais
eu posso dizer…
Ele planejava casar-se novamente com a Kika e mudar-se para
o Rio, onde tinha muitos amigos. Em SP, só eu, o Marcelo Nova, o Sylvio Passos,
o Miguel Cidras, o Edinho, e uma meia-dúzia. No Rio de Janeiro tinha mais
amigos, o Jerry Adriani, o Paulo Coelho, o Cláudio Roberto, muita gente.
Não,
do passado, Raul não dizia nada, não era homem de olhar para o passado. Vivia
adiante do seu tempo.

IN: http://raulsantosseixas.multiply.com/journal


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Veja o
vídeo  "Meu Amigo Raul" acessando o link abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=LXOXrKmrJW8
 
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