RAUL SEIXAS – 20 ANOS DE UMA METAMORFOSE – Por Mário Lucena*

Publicado: 1 de agosto de 2009 em Não categorizado

RAUL SEIXAS –
20 ANOS DE UMA METAMORFOSE

Por Mário
Lucena*
 

Raul nasceu para a música. Preparou-se
para a vida cantando. Cresceu ouvindo Elvis Presley e outros grandes nomes do
rock. Imitando seus ídolos fez sucesso em Salvador. Comunicava-se por meio da
música. Tornou-se compositor. Criou o que chamou de ie-ie-ie realista.
Fez sucesso na voz de Jerry Adriani e interpretes da Jovem Guarda. Mudou-se em
1968 para o Rio de Janeiro e gravou seu primeiro disco. Foi um fracasso. Passou
fome e desistiu da empreitada.
 
Quando voltou ao disco, em 1971, não
ofereceu nada pronto ao ouvinte. Sua música questionava a vida e a morte, a
existência, o mundo, o certo e o errado. Raul se questionava. Aos 21 anos havia
dado a volta por cima e conseguido tudo o que um homem comum poderia desejar:
carro, apartamento, mulher, filha e emprego de executivo numa multinacional.
Morava no Rio de Janeiro, uma das cidades mais belas do mundo. Reconhecia tudo
isso, mas “não era o que queria” (Êta Vida). Estava
infeliz, pois seu querer era a música.
 
A metamorfose física ocorreu em 1972.
Largou o cargo de executivo da gravadora CBS, deixou de lado o paletó e a
gravata, deixou crescer cabelo e barba e voltou a imitar Elvis Presley num
festival de música promovido pela Globo. Apresentou-se ao Brasil como cantor de
rock, mas era muito mais. Outra metamorfose, ocorrida com a leitura de filósofos
reducionistas como Schopenhauer, havia transformado Raulzito em Raul Seixas. O
que o imortalizou foi sua autenticidade.
 
Em 1968 citou Schopenhauer na composição
Trem 103: Consciente de voltar por onde vim.
O trem, a composição, veículo da morte-renascimento, torna-se presença constante
na sua obra. Aparece com destaque em 1973 (A hora do trem
passar
) e em 1974 (Trem das sete). Em
1989, ano de sua morte, Raul expressou o desejo de mudar a direção do trem
(Carpinteiro do universo).
 
O voltar por onde vim, de Schopenhauer,
será repetido de todas as formas possíveis (Tudo acaba onde começou; Meu
princípio já chegou ao fim; O caminho da vida é a morte; A gente nasce no fim; É
mais um que nasce e começa a morrer; Já não sei se é hora de partir ou de
chegar; No momento em que eu ia partir, eu resolvi ficar
).
 
Nenhum parceiro, por mais criativo ou
influente, o desviou dos trilhos. Seguiu com coerência os passos da filosofia.
Em alguns momentos citou Protágoras, Sócrates, Platão, Sartre, mas suas
principais fontes foram o hermético Crowley e o pessimista Schopenhauer. Ambos
traziam o hinduísmo na veia, herdado por Raul. Foi na pele de Krishna que cantou
seu maior sucesso, Gita.
 
De Crowley, Raul abstraiu a proposta
mística-liberal. Levou-a ao público a partir de 1974 como Sociedade
Alternativa
. Mesmo sem a benção da censura, recitava os versos da Lei
de Thelema ou Lei da Vontade (de Crowley e Schopenhauer) em meio ao refrão da
Sociedade. A Lei só seria liberada em 1988 e, por sua causa,
Raul se viu em apuros: preso, torturado e exilado pela ditadura. 
 
Mosca na sopa é
Schopenhauer (Se a mosca, que agora zumbe em torno de mim, morre à noite, e
na primavera zumbe outra mosca nascida do seu ovo; isso é em si a mesma
coisa
), mas para não deixar dúvida sobre sua fonte mais rica, em 1983,
pegou do filósofo um trecho do capítulo Morte, do livro Dores do Mundo, para
usar em Nuit: Quão longa é a noite do tempo sem limites,
comparada ao curto sonho da vida
.
 
Raul era genial no que fazia e conquistou
uma legião de fãs exatamente por não ser egoísta, por compartilhar seu
conhecimento sem medo. Como um herói mitológico foi ao inferno e voltou várias
vezes. Encarnou o niilismo, foi Sísifo subindo e descendo a ladeira da fama. A
angústia de morte era seu tormento. Sofreu a espera da dama de cetim. Sua morte
teria sido triste se não tivesse retornado aos palcos e ao disco, em 1989, na
companhia de Marcelo Nova, para testemunhar sua imortalidade.
 
20 anos após sua morte, Raul resolveu se
revelar! Ivan Cardoso faz exposição com fotos inéditas; o produtor Marco Mazzola
lança o kit CD + DVD com material inédito; Edmundo Leite, do Estadão, escreve
uma biografia completa; Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel finalizam o
documentário O início, o fim e o meio; A Rede Globo prepara o especial
Por toda minha vida; a revista Caros Amigos promete Edição
Especial
e a Rolling Stone uma grande matéria; Centenas de espaços
culturais promovem atividades durante o mês de agosto para lembrar o cometa
baiano. Raul está mais vivo do que nunca!
 
Metamorfose
Ambulante
(Vida, alguma coisa acontece; Morte, alguma coisa pode
acontecer
). Este é o título do livro que dia 21 estará nas bancas de todo o
Brasil. É de minha autoria e mais dois colegas psicólogos, sob a coordenação de
Sylvio Passos. Um livro de revelações bombásticas. A relação de Raul com a
filosofia (Schopenhauer, Crowley, Sartre etc.), parceiros (Paulo, Cláudio, Motta
etc.), imprensa (disco voador, drogas, Jerry Lee, John Lennon etc.), família e
até com o capeta!
 
No dia 21, todos estão convocados para a
tradicional passeata que vai do Teatro Municipal à Praça da
. A concentração no Municipal é a partir do meio-dia. No final da tarde
segue pelo Viaduto do Chá, Largo São Francisco e desemboca na Sé. Este ano será
especial. Espera-se a presença das três filhas do roqueiro. Simone e Scarlet,
dos Estados Unidos; Vivi Seixas, do Rio de Janeiro. Vivi, a caçula, lançará um
CD com dez remix de músicas do pai para sacudir a nova geração. Acorda São
Paulo!
 
Carina Freitas,
cantora portuguesa, da Ilha da Madeira, confirmou presença. Sylvio Passos a
descobriu na Internet interpretando Canto para minha
morte
(
www.myspace.com/carinapatricia). O CD da cantora, com uma música dedicada a Raul Seixas –
Alquimia –, é o brinde do livro Metamorfose Ambulante. Outra
presença especial é a do americano Dan Dickason, amigo pessoal de Raulzito dos
tempos de adolescência no Consulado Americano em
Salvador/BA.
 
Algumas das bandas que na Virada
Cultural
agitaram o Palco Toca Raul! estão prontas para repetir a
dose. Sylvio Passos e outros organizadores do evento esperam o apoio da
Prefeitura e da Secretaria Municipal de Cultura de São
Paulo para repetir a homenagem de forma compacta num palco
montado na Praça da Sé, dia 21 de agosto, para que a festa seja só alegria.
São Paulo precisa acordar para Raul Seixas. Colocá-lo oficialmente no calendário
cultural da cidade. O roqueiro adotou São Paulo, e o paulista tem Raul no
coração.
 
*Mário Lucena é editor, jornalista,
bacharel em psicologia e conviveu com Raul Seixas entre 1981 e 1982. 

 

It’s only Raul Seixas. (But I like
it.)

RAUL ROCK CLUB/RAUL SEIXAS OFICIAL FÃ-CLUBE
tel./fax (11) 2948
2983
celular  (11) 8304 4568
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e-mail:
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