A imortal rebeldia de Raul Seixas – Jornal Hoje em Dia – Belo Horizonte/MG

Publicado: 10 de agosto de 2009 em Não categorizado

 

A imortal
rebeldia de Raul
Seixas

Viviane Moreno
Repórter

Passados vinte anos de sua morte, Raul Seixas (28/6/1945 a
21/8/1989) está cada vez mais vivo. E o número de fãs do Maluco Beleza
tende só a aumentar por causa do burburinho que acontece a cada “data
redonda”. Para se ter uma ideia, em 2005, quando Raulzito completaria 60
anos, eram 145 comunidades relacionadas a ele no Orkut, a maior com 35 mil
membros. Passados quatro anos, são quase 400, uma delas com quase 120 mil
associados. E as homenagens, lembrando os 20 anos de morte do artista,
estão apenas começando.
E não terão fim, se depender de Sylvio Passos,
que fundou, em 1981, o primeiro fã-clube de Raul Seixas, o Raul Rock Club.
“Não é mais baú do Raul, é buraco negro”, brinca.
“Ele morreu com 44
anos, começou a produzir com 10 anos, foram 34 anos fazendo coisinhas, e
ele guardava tudo ou alguém guardava. Boa parte ficou comigo e ainda não
consegui botar tudo no mercado, nem quero colocar tudo de uma vez, senão
se transforma em uma coisa banal; tem que ter um temperinho para todo ano
falarmos dele”, diz Passos, garantindo que tem música inédita suficiente
para lançar 20 álbuns.
Tem conseguido. “Isso é inédito no Brasil: 20
anos da morte de um artista e parece que ele não morreu; as pessoas
continuam falando dele, a gente continua encontrando Rauls na rua. E com a
internet, existem milhares de fãs-clubes virtuais, de blogs e páginas para
prestar homenagem a ele”, comemora, calculando que, “nos moldes antigos”,
são mais de 200 nos quatro cantos do país e também no exterior.
Por
ocasião dos 20 anos de morte do artista, o lançamento mais esperado pelos
fãs é o documentário “Raul Seixas, o início, o fim e o meio”, reunindo
depoimentos das ex-mulheres, das filhas, de músicos, produtores, amigos,
parceiros e fãs do artista.
Com direção de Walter Carvalho e Evaldo
Mocarzel, o longa está previsto para estrear nos cinemas na última semana
de dezembro.
“Alguns fãs dizem que nem estão dormindo, vai ser uma
loucura”, aposta Sylvio Passos, que atua como consultor e personagem do
filme, acrescentando que o lançamento do documentário em DVD, em meados de
2010, também vai dar o que falar porque vai trazer muito material inédito
nos extras.
Ainda de acordo com Passos, o contrato para a realização do
documentário, orçado em R$ 2,5 milhões, prevê a filmagem de uma ficção
sobre a vida do artista daqui cinco anos.
Várias ações vão marcar o
próximo dia 21 em todo o Brasil (Belo Horizonte não fica de fora das
homenagens; leia mais na página 8). Em São Paulo, a tradicional marcha de
fãs, que acontece anualmente, do Teatro Municipal à Praça da Sé, promete
ser mais especial esse ano, com a presença de alguns dos artistas que
agitaram o palco “Toca Raul!” na Virada Cultural, em maio.
Outro
destaque é a estreia em São Paulo, no Museu AfroBrasil, da exposição “O
Prisioneiro do Rock”, reunindo 30 fotos inéditas feitas pelo cineasta Ivan
Cardoso.
No mesmo dia, será lançado o kit “20 Anos sem Raul” (MZA
Music), reunindo o DVD “Raul Seixas Também é Documento” (reedição de um
VHS lançado em 1998), o videoclipe de “Morning Train” (versão em inglês de
“O Trem das Sete”) e um CD com uma gravação inédita. “Não posso falar o
nome da música, não posso falar nada”, desconversa Passos.
Também dia
21 chega às bancas de revista o livro “Metamorfose Ambulante – Vida,
alguma coisa acontece; morte, alguma coisa pode acontecer”, de Mário
Lucena, abordando a morte na vida e na obra de Raul Seixas.
O livro
trará como brinde o CD da cantora portuguesa Carina Freitas, com a música
“Alquimia”, em homenagem a Raulzito.
Outro livro prestes a chegar às
lojas (quem sabe até dia 21?!) é a biografia escrita pelo jornalista
Edmundo Leite.
“O Raul tem uma bibliografia com 30 títulos, mas
nenhuma biografia feita com essa imparcialidade, sem um envolvimento
emocional direto de fã e ex-mulher”, observa Sylvio Passos, autor de dois
livros e consultor de outros tantos dedicados a Raul Seixas.
Nos
últimos cinco anos, Edmundo Leite viajou pelo Brasil, Europa e Estados
Unidos reunindo histórias. “Ele está mantendo mistério total, não diz nem
o nome do livro nem por qual editora vai sair”, observa Passos.
A
versão em áudio-livro de “O Baú do Raul Revirado” (volume organizado pelo
jornalista Sílvio Essinger, lançado em 2005) acaba de chegar às lojas, com
narração de Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas.
A DJ Vivi
Seixas, filha de Raul, também vai homenagear o artista. “Estou preparando
um CD das músicas do meu pai com uma nova roupagem. Fiz questão de manter
a originalidade das musicas, para não perder a identidade. Mesmo que com
batidas eletrônicas, chamei algumas feras do rock para participar, como o
baixista Arnaldo Brandão e o guitarrista de blues Alamo Leal, para dar um
toque mais orgânico”, conta, acrescentando que, mesmo sua onda sendo o
house, sempre toca um remix de seu pai para animar as pistas. “Alguém
berrando toca Raul ou não… É meu amuleto da sorte”.
Vivi Seixas
atribui a permanência de Raul como ídolo, mesmo entre jovens que nem
tinham nascido quando ele morreu, à atualidade de suas letras. “Acho que
esse amor passa de pai para filho na maioria das vezes”,
observa.
Também vamos ler falar muito sobre Raul Seixas este mês. O
Maluco Beleza será capa de várias publicações, como as revistas Rolling
Stones e Caros Amigos.
Dia 18, Raulzito será homenageado no Prêmio
Multishow, quando Arnaldo Antunes e Ana Cañas cantarão juntos “Óculos
Escuros”.
Em outubro, o site do fã-clube oficial de Raul (
www.raulrockclub.com.br) ganha novo layout. A propósito, os fãs podem enviar
sugestões pelo e-mail “novo.site.rrc@gmail.com”. Só a partir daí serão
aceitas novas adesões; hoje são cerca de 10 mil sócios.
Sylvio Passos
justifica que ainda trabalha à moda antiga, confeccionando as carteirinhas
dos novos associados e montando os kits raulseixistas artesanalmente, e
que tudo isso leva tempo.
“Precisava me dividir em 40 para dar atenção
a todos e estar presente em todas as homenagens, tem um milhão de coisas
acontecendo”, diz, sem tom de reclamação, muito antes pelo contrário,
acrescentando que o assédio de jornalistas e produtores de eventos se
intensificou desde a virada do ano por causa da tal “data redonda”.

Passos adora tudo isso. “Quando era garoto tinha uma relação de fã, de
garoto que amava Raul Seixas, os Beatles e os Rolling Stones. Cresci, sou
um homem de quase 50 anos, o envolvimento emocional continua, mas virou
profissão. Começou como brincadeira de garoto, passaram-se quase 30 anos e
nada que se faça no Brasil sobre Raul Seixas deixam de procurar o sr.
Sylvio Passos”, diz, sem modéstia, atribuindo isso ao próprio Raul Seixas,
que virou seu amigo e acabou passando a ele esse legado.
“Ele começou
a me passar, além das maluquice, um acervo muito grande, uma
responsabilidade muito grande. O Raul Rock Club não é pura e simplesmente
para coletar fotinhas e coisinhas, não estamos brincando de fazer
reuniãozinha para adorar um ídolo; tem toda uma ideologia, defendo a
preservação da memória do Brasil”.

“Toca Raul!” celebra o ídolo

Os vinte anos de morte de Raul Seixas não passarão em branco
em Belo Horizonte. No dia 21, o Lapa Multshow promove a 5ª edição da festa
“Toca Raul!”, reunindo as bandas Trem das Sete, Paranoia e Penaforte e os
Carpinteiros do Universo, além de telão com clipes e exposição do acervo
do Fã Clube Século XXI, de Curvelo. O produtor Magela Medeiros ressalta
que, além de homenagear o Maluco Beleza em seu aniversário de morte, o
encontro vai comemorar os 30 anos de lançamento do disco “Por Quem os
Sinos Dobram”, que trouxe músicas como “Ide a Mim Dada” e “O Segredo do
Universo”. Detalhe: as três bandas já se encontraram para discutir o
repertório, evitando repetições e garantindo uma verdadeira viagem pela
obra dele.
Gustavo Jacob, sócio-proprietário do Lord Pub e do Jack Rock
Bar, também planeja alguma coisa para os fãs do artista baiano. Pelas duas
casas costumam passar bandas como Raulzitles, Trem das Sete e Ouro de
Tolo.
Na estrada desde 1996, a banda Trem das Sete tem outros shows
marcados esse mês: no Stone Henge (dia 14), no Retiro das Pedras (dia 15),
no Pau e Pedra (dia 22 e no Alameda Pub (dia 28).
Vocalista do Trem das
Sete, Cristiano Francisco da Silva, 25 anos, conta que virou fã de Raul
Seixas aos 12 anos (“quando ele morreu, eu estava com nove anos, não
curtia ainda”), por influência do irmão. O que o atraiu – e continua
atraindo tantos fãs, em sua avaliação – foram as letras irreverentes de
Raul. “Ele dizia muito sobre a realidade, as coisas do cotidiano, e a
história é cíclica, então ele fala de muitas coisas que acontecem nos dias
de hoje”.
Cristiano diz que quando foi convidado para participar da
banda cover, em 1998, aceitou porque a proposta era a fidelidade aos
arranjos e à sonoridade dos discos. O baixista Flávio Santos, 28 anos,
também não queria ter que buscar uma semelhança física com o artista e a
época. “Imitação não é nossa praia e nunca foi. Eu ficaria até
envergonhado se nosso vocalista usasse barba, jaqueta de couro e óculos
escuros”, diz, acrescentando que não gosta do termo cover.
Flávio conta
que, até entrar na banda, em 1997, conhecia Raul Seixas apenas pelos
clássicos que tocavam nas rádios. O convite acabou mudando sua vida para
sempre. Interessou-se pelas letras do artista, pelos autores que ele lia e
pelo contexto cultural dele. Foi o pontapé para que fosse estudar
Filosofia. “Embora não o considere um filósofo, acho que as letras dele
fazem a pensar”, diz, acrescentando que considera as letras de Raul
irônicas, engraçadas e profundas. “Não é música abstrata, de difícil
compreensão; nem romântica, barata”. E avalia que Raul ainda atrai tanta
gente por ser um artista autêntico, sincero e acessível.
Criada há
menos de dois anos, como projeto paralelo dos músicos do Cartoon, a banda
Raulzitles fez uma aposta certeira ao misturar dois expoentes da música
nacional e mundial: Raul Seixas e Beatles. “Não existe um show em que
alguém não pede Toca Raul! Virou até piada”, observa o vocalista e
baixista Khadhu, que, quando à frente do Cartoon acaba ignorando os
pedidos.

Festa Toca Raul! – Lapa Multshow (Rua Álvares Maciel, 312,
Santa Efigênia – fone: 3241-2074). Dia 21 de agosto, sexta-feira, às 22
horas. Ingressos: R$ 15 (1 lote) e R$ 20 (2 lote). Valores para estudantes
e compra
antecipada.

in: http://www.hojeemdia.com.br/v2/index.php?sessao=12&ver=1&noticia=1331

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