Nota sobre inverdades publicadas no e-book “Raul Seixas, O Homem Que Deixou A Vida Para Entrar Na História”, de Isaac Soares de Souza.

Publicado: 21 de setembro de 2010 em Livros

Nota sobre inverdades publicadas no e-book "Raul Seixas, O Homem Que Deixou A Vida Para Entrar Na História", de Isaac Soares de Souza.

Esta é uma história de quatro pessoas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM.
Havia um trabalho importante a ser feito e TODO MUNDO tinha certeza de que ALGUÉM o faria.
QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fez.
ALGUÉM zangou-se porque era um trabalho de TODO MUNDO.
TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo.
Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.
Autor desconhecido

Após a leitura das 100 páginas – entre inúmeras & torturantes crises de Cefaléia em Salvas – do referido e-book, e deparar-me com referências a mim e ao trabalho que há 30 anos faço em prol da memória de Raul Seixas, indignou-me os ataques pessoais, diretos ou indiretos – e descabidos – dirigidos diretamente a mim. O autor, que conheço desde 1981, época em que fundei o Raul Rock Club/Raul Seixas Oficial Fã-Clube, quando não se refere a mim com desdenho diretamente (embora, em algumas citações a minha pessoa, o autor teça elogios), deixa subentendido em seu texto os referidos ataques e inverdades, motivado, talvez, por frustrações e/ou por algum desejo de vingança(?) tendo-me como alvo dos mesmos.

Não tenho a menor intenção de "criar caso" com o autor, mas, diante dos fatos, não posso ficar quieto e deixar que, mais uma vez, venham tentar achincalhar minha imagem, nome e trabalho – coisa que, de uns tempos para cá, virou terreno comum, de certa forma. O que fica evidente para mim, além da clara falta de bom senso, é que esses que alardeiam por aí tais discrepâncias, me julgando como se fossem os bastiões dos fracos e oprimidos (sic), não tem o menor embasamento, moral ou virtude para, gratuitamente, desferirem suas queixas e mágoas para cima de mim. Se consegui alguma notoriedade com minhas ações, não foi forçada e/ou comprada, mas, sim, pela qualidade, competência, profissionalismo, transparência e, principalmente, pela honestidade aplicadas em tudo que faço. Se agrada ou não o público, aí já foge ao meu controle, afinal, usando um velho clichê, se nem Jesus Cristo agradou à todos, por que haveria eu de agradar?

Vivemos num país livre e respeito a liberdade de expressão desde que esteja corroborada a fatos e não a elucubrações baseadas em devaneios sórdidos que só fazem envenenar as mentes e corações dos incautos.  Portanto, deixo abaixo os números das páginas do referido e-book onde senti-me agredido de alguma forma, e, em seguida, minha argumentação acerca de tais injurias.

Página 42: Ao se referir a oficialização de fãs-clubes, o autor fala sobre ataques de estrelismos (?) de seus fundadores e que eu distribuía as carteirinhas de seu fã-clube aos associados do Raul Rock Club.  Isso nunca aconteceu. Jamais distribui carteirinhas de outros fãs-clubes aos associados do Raul Rock Club. Quanto a questão de "ataques de estrelismo", não tenho nada a dizer senão que o mal reside tão e somente nos olhos e no coração dos detratores. Na mesma página ainda sou citado como não tendo dado o devido reconhecimento ao autor(?). 

Página 53: Nesta página o autor afirma que, em 1984, Raul teria entregue a mim algum material para que eu entregasse à ele por conta de um livro que o mesmo estaria escrevendo e o mesmo afirma que jamais recebeu tal material que, supostamente, Raul teria deixado aos meus cuidados. Quero deixar bem claro que Raul jamais entregou qualquer material à mim para que eu entregasse ao autor deste e-book. Vale dizer aqui também que em 1981, quando conheci Raul em sua residência, no bairro do Brooklin, zona sul de capital paulista, em minha primeira vista a sua casa, cheguei lá com a proposta, além da fundação do Raul Rock Club, de escrever um livro sobre ele e desde então Raul passou a me entregar muitos itens de seu famoso baú para que eu os recuperasse e toda sorte de material para que eu desenvolvesse minha pesquisa.  Com todo aquele material a disposição (fitas, fotos, textos, manuscritos, documentos…) elaborei não só o livro, mas também projetos para discos com material raro e inédito. Nos anos seguintes, sempre que Raul entrava numa gravadora me apresentava aos diretores e produtores dizendo que eu tinha projetos e material para lançamento de discos e um livro, na esperança de que os mesmos fossem lançados naquela época juntos, talvez, com seus álbuns. Infelizmente não conseguimos lançar nada naquele período. O livro somente veio ser lançado em 1992, em parceria com meu velho amigo Toninho Buda, com o título Raul Seixas, Uma Antologia, na então pequena Martin Claret Editores (antes, em 1990, eu havia lançado pela mesma editora o livro-clipping Raul Seixas Por Ele Mesmo, pois o Sr. Martin Claret, desconhecendo Raul Seixas e seu público, queria saber se valeria a pena investir no Antologia, um livro que exigia mais cuidado e investimento em sua publicação.). Assim como o livro, o primeiro disco com material inédito, também só foi lançado em 1992, pela Philips/Polygram com o título de O Baú Do Raul, já que Kika Seixas e Tarik de Souza estavam lançando um livro com mesmo título e, evidentemente, assim como o disco, com material que constava no famoso baú do Raul. Kika tinha alguns manuscritos que se transformou no livro para e Editora Globo e eu tinha os tapes para produzir o disco para a multi holandesa.

Página 61: No último parágrafo dessa página o autor desfere seu ataque acusando-me de falso parceiro musical de Raul na faixa, até então inédita, Anarkilópolis, a primeira versão de Cowboy Fora da Lei (1987), composta por mim e por Raul em 1984. Na acusação o autor usa expressões como "PASMEM" e diz que tal parceria é VEXATÓRIA, e que tudo fazia parte de uma armação (sic) com intuito de ludibriar o público. Cabe aqui dizer que Anarkilópolis foi composta apenas por mim e por Raul em 1984 e que a mesma deveria mesmo ter entrado no álbum Metrô Linha 743, o que infelizmente acabou não acontecendo por Raul ter entrado em estúdio para grava-la em condições não favoráveis e, principalmente, porque findava as sessões de gravação e mixagem do disco que já estava com data de lançamento marcada. O nome de Cláudio Roberto aparece na parceria por conta de que em 1987 Raul o convidou para fazer uma outra versão, a que acabou estourando em todo Brasil naquele ano. Como essa segunda versão havia sido registrada primeiro, obrigatoriamente teria que se incluir o nome de Cláudio nesta versão inédita até então (2003) não registrada. Segue, no anexo, trecho em MP3 de uma das inúmeras gravações que eu e Raul fizemos enquanto compunhamos a canção em 1984.  O desafeto segue nas páginas seguintes, 62 e 63, respectivamente, com inúmeros equívocos cometidos nessas páginas, principalmente com relação a ficha técnica e a concepção/conceito do CD em si que não cabe explanação aqui, seguido de excertos de artigo publicado pelo jornalista Jotabê Medeiros no jornal O Estado de São Paulo acerca do lançamento em 2003. (Vide integra do artigo no final desta.)

 
Anarkilópolis – Trecho composição 1984 + Video Oficial

Para finalizar quero deixar bem claro que nunca tive qualquer tipo de problema com Isaac Soares de Souza, que inclusive esteve comigo na Passeata Raulseixiticka aqui em São Paulo no último 21 de agosto. Mas, tais observações se faziam necessárias uma vez que o e-book está sendo largamente divulgado no mundo virtual.

Sem mais,

Long Live Rock and Raul!
I Know It’s Only Raul Seixas (But I Like It)

Sylvio Passos

Sylvio Passos
tel. (11) 2948 2983
cel. (11) 8304 4568
Site:
www.sylviopassos.com
e-mail: sp@sylviopassos.com
Os fatos prevalecem sobre os documentos.


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Desfile de jóias do anarquista raro

JOTABÊ MEDEIROS

   A única coisa que prestava mesmo em Anarkilópolis, a tal canção inédita do novo disco de Raulzito, gravada originalmente em 1984, era o refrão. "Eu não sou besta pra tirar onda de herói", que ele aproveitou três anos depois.

   O resto do country que puxa o novo lançamento é um besteirol, algo bem inferior à verve do cantor baiano em outros momentos. Só tem um versinho que se salva: "Cada um manda no seu nariz/ Por isso que o povo lá é feliz."

   Há coisas bem melhores do que a "inédita" de Raulzito entre as 14 faixas desse disco Anarkilópolis (lançamento Som Livre, preço médio R$ 30,00), que reúne sua produção crepuscular. Um caso é o xaxado Ê, Meu Pai (1980), dele e de Claudio Roberto, com Jackson do Pandeiro e coro do grupo As Gatas.

   Delícia também é o xote Quero Mais, cujos vocais são divididos com a musa da Jovem Guarda Wanderléa, pontuado pelo desafio de uma embolada. "Nosso beijo é doce que nem rapadura." Em Mamãe, Eu não Queria, o valente Raul prega contra o alistamento obrigatório ao Exército, semeando a desobediência civil (1984). Do mesmo ano é balada brega Mas I Love You (Pra Ser Feliz), com um coro se equilibrando na guitarrinha de Rick Ferreira.

   Das parcerias de Raulzito com Marcelo Nova, no fim dos anos 80, comparecem duas faixas (Muita Estrela, Pouca Constelação e Rock’n’Roll). Dos malditos, está o bicho-grilo Sérgio Sampaio, em Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo.

   E, bom sinal, a qualidade das gravações está acima da média no álbum.

   Raulzito foi o primeiro artista nacional a ter um disco organizado por um fã-clube, Let Me Sing My Rock-and-Roll (1985). Esse disco é da mesma natureza. A seleção obedece a um critério "subversivo", para justificar os símbolos de anarquismo aqui e ali. É justo. O papel de Raulzito sempre foi esse mesmo, o de puxar o cordão dos visionários.

(© O Estado de S. Paulo)

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comentários
  1. Cássio Ruã disse:

    Só basta isso e vindo por intermédio do proprio Raul
    Um abraço!

    Eu Sou Egoísta

    Se você acha que tem pouca sorte
    Se lhe preocupa a doença ou a morte
    Se você sente receio do inferno
    Do fogo eterno, de Deus, do mal
    Eu sou estrela no abismo do espaço
    O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
    Onde eu tô não há bicho-papão
    Eu vou sempre avante no nada infinito
    Flamejando meu rock, o meu grito
    Minha espada é a guitarra na mão

    Se o que você quer em sua vida é só paz
    Muitas doçuras, seu nome em cartaz
    E fica arretado se o açúcar demora
    E você chora, cê reza, cê pede… implora…
    Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
    Eu quero é ter tentação no caminho
    Pois o homem é o exercício que faz

    Eu sei… sei que o mais puro gosto do mel
    É apenas defeito do fel
    E que a guerra é produto da paz
    O que eu como a prato pleno
    Bem pode ser o seu veneno
    Mas como você vai saber… sem tentar?

    Se você acha o que eu digo fascista
    Mista, simplista ou anti-socialista
    Eu admito, você tá na pista
    Eu sou ista, eu sou ego
    Eu sou ista, eu sou ego
    Eu sou egoísta
    Por que não…

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