‘Eu fui tão fã de Elvis quanto Raul foi’, diz o diretor do filme ‘Raul Seixas’

Publicado: 14 de dezembro de 2011 em Filmes, Música, Music

‘Eu fui tão fã de Elvis quanto Raul foi’, diz o diretor do filme ‘Raul Seixas’
Dirigido por Walter Carvalho, filme tem estreia prevista para 17 de janeiro.
Longa traz entrevistas de familiares e amigos, como o escritor Paulo Coelho.

Cauê Muraro
Do G1, em São Paulo

Cena do filme (foto: Paramount Pictures / Getty Images / divulgação)

Cena do filme (foto: Paramount Pictures / Getty Images / divulgação)

Foi Elvis Presley o responsável por estabelecer uma aproximação entre Raul Seixas (1945-1989) e Walter Carvalho. Em entrevista ao G1, o diretor conta que se identificava com Raul mais por pertencerem ambos à mesma geração que por ser um fã de primeira hora do das músicas do compositor baiano.

“Eu fui tão fã de Elvis quanto Raul foi, imitava também. O viés do nosso encontro se dá um pouco por aí”, explica Carvalho. “Quando descobri que ele começou a vida imitando o Elvis, isso me aproximou, porque até hoje gosto do Elvis.”
Ele diz isso ao comentar seu mergulho na história do autor de “Metamorfose ambulante”, resultado do convite para dirigir o documentário “Raul Seixas: o início, o fim e o meio” (veja trailer ao lado), que tem previsão de estrear em 17 de janeiro. Com relação à obra escrita por Raul, o cineasta esclarece que tardou um pouco a escutá-la com interesse especial. “Ele era dois anos mais velho do que eu, mas fui ouvir suas músicas através dos meus filhos – um tem de 34 anos e outro tem 21, e eles ouviram em momentos diferentes.”
Desde a morte de Raul Seixas, existe pelo menos uma geração inteira que cresceu ecoando a bordão “Toca Raul!”. A própria existência do clichê, nem sempre aplicado com fins de homenagem, dá a medida da popularidade do cantor. E, se ele permanece, é muito porque soube cultivar uma imagem. Carvalho propõe uma descrição dessa “imagem”. “Na verdade, eu sabia que estava fazendo um filme sobre um mito, e um mito com características de provocador, irreverente, libertário, questionador, anárquico.” Mas sobraria algo para além desse tipo de adjetivo, que sequer é exclusivo da prática artística? “Indo atrás do mito, eu descobri um artista criativo, extraordinário.”

Para fazer a descoberta, Carvalho foi atrás de imagens de arquivo e colheu depoimentos. As primeiras, de acordo com ele, representam “uns 30, 35% do filme”: são fotos e também registros em vídeo.
“As imagens mais antigas dos cadernos que o Raul desenhava. Ele queria ser cineasta, era fã incondicional de cinema”, observa o diretor. “De imagem em movimento, a mais antiga é dele garoto, na Bahia, comprando cigarro, provavelmente com menos de 20 anos. Os arquivos têm origem em televisão, jornal, cinejornal, e também filmes de família.”
O restante de “Raul: o início, o fim e o meio” é feito de entrevistas gravadas nos últimos anos. “Eu me aproximei do projeto em 2009, filmei no final de 2009 e em 2010. Depois, a montagem levou um ano e seis meses, porque somei mais de 400 horas de material – acho que não tem um filme documentário brasileiro que fez isso”, afirma Carvalho.
Foram, ao todo, 94 entrevistas. Na edição final, restaram 54. Aparecem familiares e amigos, como o escritor Paulo Coelho, com quem Raul compôs algumas de suas músicas mais célebres: caso de “Gita”, por exemplo, que empresta um verso ao título do longa. Dentre as pessoas que surgem em tela, Carvalho considera que as mais “representativas” são as ex-mulheres, as filhas e o irmão de Raul Seixas, os amigos antigos de Salvador, Marcelo Nova e Sylvio Passos.
Perguntado sobre quem é Sylvio Passos, o diretor esclarece que se trata do presidente do fã clube Raul Rock Club. “Ele saiu de casa com, sei lá, 18 anos de idade, e foi atrás do Raul, porque era fã. E ficou próximo até a morte do Raul. Hoje, ele vive disso, de ser presidente de um fã clube com objetos pessoais, particulares.” Carvalho talvez o cite como alguém significativo porque o próprio Raul, no início da adolescência, tomou iniciativa parecida com a de Passos: em 1957, aos 12 anos de idade, ele foi um dos fundadores do Elvis Rock Club, em Salvador.
IN: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/12/eu-fui-tao-fa-de-elvis-quanto-raul-foi-diz-o-diretor-do-filme-raul-seixas.html

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