O canto de Raul Seixas sem ranço de velhice… Vivi Seixas A princesa rebelde

Publicado: 12 de abril de 2013 em Música, Music
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O canto de Raul Seixas sem ranço de velhice…
A filha do cantor, DJ Vivi Seixas, utilizou registros originais da voz de Raul Seixas como base para o seu “Geração da Luz”

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Vivi Seixas seguindo os passos do pai.

A metamorfose cantante chamada Raul Seixas ganha novo fôlego fonográfico: “Geração da Luz”. O disco, assinado pela filha do roqueiro baiano utiliza fonogramas originais das canções, com sua voz a capella, e reveste com a sonoridade da música eletrônica. Um pouco de batidão, brincadeiras com o ritmo das músicas, guitarras distorcidas e muitos recursos de sintetizadores.
Morto em 1989, Raul Seixas dá mostra da força e atualidade de suas canções, remodeladas pela filha

Entre as 10 faixas remixadas, entram sucessos como “Metamorfose Ambulante”, versão cantada em espanhol (ou quase espanhol), “Aluga-se”, de Raul e Cláudio Roberto, “Mosca na Sopa”, e ainda um lado B de Raul, como “Conversa Pra Boi Dormir” e “Super Heróis”, esta última em parceria com Paulo Coelho. O disco, defende a DJ, é uma tentativa de apresentar a obra de Raul Seixas às novas gerações.

“Ele tá começando agora, eu não quero ranço de coisa de velhice. Eu quero uma coisa nova. Eu quero uma coisa novíssima. Então, vamos fazer a cabeça dos novos, que os velhos já estão fritos”, anuncia a DJ, em gravação na voz de Raul Seixas. O disco traz uma série de falas de Raul, pinçadas de gravações raras do cantor. “Quem me ajudou muito com esse material foi o Sylvio Passos, fundador do primeiro fã clube. Sylvio mexendo nas fitas de rolo, achou algumas gravações. Inclusive a introdução”, contextualiza Vivi, em entrevista ao Diário do Nordeste. E brinca sobre o contexto do trecho, “alí, é ele (Raul Seixas) defendendo a filha dele, pedindo para as pessoas deixarem ela em paz”.

A frase abre a sequência do disco e é repetida inúmeras vezes, ainda mais completa, na introdução da música tema, “Geração da Luz”, parceria com a mãe de Vivi, Kika Seixas, onde Raul reforça: “não é rock’n roll. Eu quero uma coisa novíssima”. Vivi Seixas divide a produção com os Djs e produtores Mike Frugaletti e Plínio Profeta.

Faixas
Para as novas versões, a DJ contou com gravações de teclados, piano, baixos, guitarras e violões, “para dar um quê mais orgânico ao disco”, justifica ela. Entre os músicos convidados, estão o baixista Arnaldo Brandão, o guitarrista Alamo Leal, e Plínio Profeta, que grava piano em “Rock das Aranhas”, também guitarra em “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante”. Os arranjos contam ainda com criações feitas direto no computador e algumas linhas retiradas dos originais.

Em “Metamorfose Ambulante”, primeira do disco, a voz de Raul foi retirada de fonograma da Universal Music onde ele tenta cantar a música em espanhol. Sai uma engraçada mistura. Musicalmente, a releitura mantem o clima do original, ganhando, no entanto, uma batida marcada pelo baixo de Plínio, bateria estourada e ainda um leve sabor de reggae, na parte final. Ficam as segundas vozes e o solo característico.

“Aluga-se”, tem versão dançante, em roupagem “house”, bem ao estilo do trabalho de Vivi Seixas. Em suas apresentações, a DJ costuma transitar entre as variantes do estilo, como “funky-house”, “tech-house” e “deep-house”. A mesma linha é seguida em “O Carimbador Maluco”, lançada em 1983 como tema infantil no especial Plunct Plact Zum. Esta é uma das que a cantora diz estar tocando nas festas de música eletrônica.

Escracho

Aos fãs ávidos por conteúdo raro ou mesmo inédito de Raul Seixas, o disco vem recheado de pérolas ditas pelo cantor ao gravador. Além da abertura e do parco espanhol de “Metamorfose Ambulante”, o cantor solta boas como “tá gravando aí ‘my’ nego?”, ou “não adianta policiamento”.

Em “Rock das Aranhas”, música censurada pela ditadura por evidenciar o sexo, Vivi solta como sample trecho de registro ao vivo em que Raul defende ser o “precursor da aranha”. Segundo contava o roqueiro, a palavra aranha teria entrado no dicionário da censura, onde constavam as palavras proibidas, após o lançamento da música, registrada no disco “Abre-te Sésamo”, de 1980.

O tom escrachado e bem humorado ganha força especialmente nas três últimas faixas do disco, “Só Pra Variar”, “Conversa Pra Boi Dormir” e “Como Vovó Já Dizia”, músicas que são desconstruídas pela DJ, que picota trechos das canções em meio a suas programações. “Como Vovó Já Dizia”, alias, vem em versão censurada, com Raul cantando versos como “Já bebi daquela água, quero agora vomitar / Uma vez a gente aceita, duas tem que reclamar” e “Vim de longe de outra terra pra morder teu calcanhar”.
Vivi Seixas faz releituras das canções do pai, que ganham roupagem de música eletrônica. O disco utilizou fonogramas originais do roqueiro, além de gravações raras pinçadas no acervo pertencente ao fã-clube oficial de Raul Seixas

Os fonogramas, explica, foram colhidos há seis anos, quando ainda iniciava a carreira de DJ. Ao receber, no ano passado, o convide da Warner Music para o tributo.

“Não fiz um CD para os fãs, fiz para o meu pai”, reage, sobre críticas ao trabalho. Vivi reforça, no entanto, que vem recebendo uma boa resposta do público. Aos futuros fãs, uma boa porta de entrada no universo paralelo que é Raul Seixas. Aos antigos, boa sorte e “cuca” aberta!

Disco
Geração da Luz
Vivi Seixas
Warner Music
2013, 11 faixas
R$ 14,90

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER
IN: Caderno 3 – Diário do Nordeste
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Vivi Seixas A princesa rebelde
Estamos diante de uma homenagem coerente com o princípio da “Metamorfose Ambulante”. Raul Seixas defendeu a causa do rock.

Quase não se vê, embaixo da capa do disco Geração da Luz, de Vivi Seixas, o aviso em azul camuflado sobre fundo preto: clássicos de Raul Seixas metamorfoseados. É preciso vasculhar a capa bem bolada, com Vivi colocando fones de ouvido em Raul, com olhos atentos para perceber a chave que abre as portas do CD. Raul em preto e branco e Vivi em cores são sinais que marcam a distância entre as gerações.

O despertador nas mãos de Raul, indicando meio-dia ou meia-noite, é um elemento irônico que reflete o momento em que é preciso ceder espaço para novos talentos. As guitarras que cercam Raul, sinônimos de rock?n?roll, estão em repouso e a imagem sugere que ele se prepara para ouvir o som que vai sair dos fones. A maquiagem de Vivi é um anúncio de que ela gosta de ir um pouco além do normal.
O espaço em branco em volta dos dois representa as possibilidades do encontro a partir da primeira faixa. Tudo fica mais intenso e significativo quando se reconhece Vivi como filha de Raul. O encarte traz ainda uma informação cativante. Duas carteiras do Raul Rock Club (fã clube inaugurado por Sylvio Passos) emitidas no dia 5 de abril de 1983. Uma do próprio Raul, aos 37 anos, assinalado como protagonista, e outra de Vivi, aos 2 anos, com o número 001A. As carteiras são válidas em todo o universo.

A convivência com o pai roqueiro influenciou a determinação da filha em trabalhar com música. Mas Vivi seguiu uma via que pode levar os fãs sectários de Raul a torcer o nariz com mal disfarçada sensação de desprezo. Vivi é DJ de house e pesquisadora de vertentes como drum and bass. Ela é casada com o DJ californiano Mike Frugaletti, que produziu Geração da Luz ao lado dela e de Plínio Profeta.

Considerando que a faixa título é uma parceria de Raul com a mãe de Vivi, Kika Seixas, a conclusão é que se trata de um trabalho em família. E que, portanto, o que menos se espera é alguma forma de manchar a figura do rei do rock brasileiro. Torçam o nariz, fãs sectários, para quem DJ não passa de um robô que processa ruído sem emoção. Estamos diante de uma homenagem coerente com o princípio da Metamorfose Ambulante. Música, aliás, remixada por Vivi numa versão em espanhol.

Visionário, Raul antecipou tendências ao misturar rock e xaxado, por exemplo, em Let me Sing. Ele defendeu a causa do rock, sim, com uma irreverência que não encontra paralelo entre coloridos e carrancudos, mas fez sucesso com linguagens tão diversas como o pop e o brega. Logo, talvez não seja desnecessário afirmar que Vivi se expõe à crítica com a visão particular de uma obra cujo alcance é notável e reconhecível e que Raul não é propriedade de ninguém, muito menos de ouvintes fanáticos e inflexíveis.

No encarte do CD, ela diz que conseguiu, há seis anos, com as gravadoras, vários registros a capella (somente a voz) de músicas do pai e que estava esperando o momento certo de prestar seu tributo. O sonho dela é passar adiante as mensagens de Raul. ?Tive muito zelo ao manter suas letras e identidade musical intactas, dando às suas tracks apenas uma roupagem nova e mais moderna?, escreveu. E agradece os músicos convidados.

Pedro Augusto adicionou teclados em Rock das Aranhas, assim como Donatinho em Geração da Luz. Arnaldo Brandão tocou baixo em Aluga-se e baixo e guitarra em Conversa pra Boi Dormir. Álamo Leal acrescentou guitarra, violão e national steel em Super Heróis. Plínio Profeta colocou piano em Rock das Aranhas, guitarra e baixo em Metamorfose Ambulante e guitarra e theremin em Mosca na Sopa.

Depois de uma introdução em que Raul confessa o propósito de fazer a cabeça dos jovens, porque os velhos estão fritos, segue-se a versão espanhola e, por isso mesmo, estranha de Metamorfose Ambulante, que não compete com a versão original, mas convive lado a lado com ela. Basicamente, este é o espírito do CD. Vivi não ombreia com seu pai, não olha para ele de cima, não o contesta, não briga, não discute.

Antes, faz as pazes com aspectos sombrios de Raul que a maioria conhece por ouvir falar, mas que ela viveu de perto. A maluquice de Raul manifestava-se em genialidade e degeneração. Não apenas como filha zelosa, mas como artista de música eletrônica, Vivi traz Raul para a festa de maneira alegre e radiante. Preserva e destaca sua jovialidade e vontade de potência através de clássicos e faixas menos cotadas. Todas muito conhecidas.

É possível ficar incomodado com a união de Raul, que sempre foi analógico, e as programações virtuais? Sim, evidente. Como é possível curtir a iniciativa como se fosse uma reverência que poderia ter sido radicalmente mais ousada. Os fãs verdadeiros não têm motivos para perder o sono e, quem sabe, agradeçam Vivi por resgatar a versão censurada de Como Vovó já Dizia (Óculos Escuros).

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Promoção VIVI SEIXAS – GERAÇÃO DA LUZ
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Esta pode ser a via de acesso para uma rapaziada que preza o vintage conhecer Raul. Então, Geração da Luz terá cumprido seu papel. Nariz torcido é para os constipados.
IN: SUPERCLIP por Adalto Alves

‘VIVI SEIXAS TOCA RAUL’

A filha do considerado “Pai do Rock Brasileiro” apresenta um show intitulado “Vivi Seixas Toca Raul” com uma seleção única das melhores musicas do pai, em formato vinil, acompanhada de projeções de imagens inéditas. Vivi Seixas, ao longo dos últimos 8 anos consolidou sua carreira artística como DJ de ‘house music’, ela conquistou o seu espaço e o publico, pelos quatro cantos do Brasil e também no exterior, passando pelos principais festivais e melhores clubs da cena eletrônica brasileira. Ela acredita que agora vai ser o momento de fazer a sua homenagem ao pai, apresentando este pocket show inédito a todo publico que pede Toca Raul.

Vivi, acompanhou o sucesso do pai desde seus primeiros anos de vida, quando o pai gravou o especial Plunct, Plact, Zuum da Rede Globo, onde Raul cantava a musica “Carimbador Maluco”, do álbum Raul Seixas (1983) que deu a Raul mais um disco de ouro em sua carreira. Muitas vezes chamado de “Maluco Beleza”, Raul deixou uma obra inigualável, sendo 21 discos gravados em 26 anos de carreira, dono de um estilo musical único, que misturava o Rock com o baião, considerado “contestador e místico”, Raul foi acompanhado de audiência relativamente alta durante sua vida. Tornando-se um símbolo do Rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs dos últimos quarenta anos.

Site oficial
viviseixas.com.br
facebok.com/djviviseixas

Management & Booking
strikeconcert.com

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comentários
  1. Guilherme Costa disse:

    As músicas de Raul Seixas são d+ Com roupagem nova ou não!!!

    Curtir

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